Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, VILA GUARANI, Homem, de 26 a 35 anos, Japanese, Portuguese, Esportes, Gastronomia
MSN -



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis


 
Hideaki Maraturista


Arquivo de Corridas 168 - parte 2: Prova e Pós prova

Dia da prova:

Despertei às 4h30 para o meu ritual que inclui esvaziar o intestino e banho. Demorei, mas deu tudo certo. Peguei o chip (que já vinha com porta-chip, pra colocar no tornozelo), o meu novo cinto para colocar gel (na verdade, comprei na Track&Field, no Shopping, pois encontrei um melhor), protetor solar, camiseta MM com número de peito e nas costas também, ambos com nome. Mas quando peguei o cronômetro, vi que a bateria tinha esgotado. Já sabia que estava fraca, desde outubro do ano passado, em Buenos Aires. Bom, decidi correr sem relógio, nem cronômetro, nem nada. Uma nova experiência em maratonas... Desci em torno das 6 horas para o café da manhã, onde encontrei alguns atletas, e já peguei direto a van para o local da prova. Na hora que eu saí do hotel, o motorista gritou: “mais uma pessoa!”, então já fui lá. Chegando ao local da prova, uma pequena caminhada até a Arena. Encontrei a Ultra Elisete e fomos conversando. Depois fui encontrando o pessoal da EC Tavares, e, depois de muito procurar os MMs, finalmente encontrei o Dimas e o Nilson. Queria ter conversado com eles um pouco mais neste momento, mas a fila do banheiro estava tão grande, que quando saí, praticamente já estava na hora da prova. Entramos na grade de largada logo que tocou o sinal de largada, e ainda deu tempo de encontrar o Pingüim, pra mais uma foto.

Vamos lá!

Logo nos trechos iniciais, já começava a sentir um pouco do cansaço acumulado de Ilhabela. O cinto de gel novo também incomodava um pouco. De repente, o Nilson me alcança, quando eu pensava que ele já estava lá na frente. Dizia que ia poupar, mas logo já foi me passando. Falei com o Ronald Sekkel e o Milton, e pela primeira vez, vi o Gasômetro, que está completando 80 anos. Houve um trecho meio estreito no começo da prova. A largada foi simultânea para os maratonistas e para o revezamento em duplas, e vários atletas acabavam subindo na calçada. Vi a placa de 1 km, mas depois, não vi quase mais nenhuma placa nos 10 km iniciais. Também eu não estava interessado em ver. Encontrei o Rodolfo na Siqueira Campos, com a sua famosa camiseta de maratona. Passamos pelo Mercado Público, pelo Camelódromo, e iniciamos o retorno na Avenida Mauá. Neste momento, vi dois atletas que se chamavam Carlos, conforme o nome estampado no número do atleta. Ou seja, se alguém estivesse atrás de mim vendo, perceberia três Carlos. Passando de novo pela linha de largada, agora a vez de ir para o bairro. Lembro de ter visto a Faculdade de Medicina da UFRGS em restauração, ao lado da de Direito Depois dos 10 km, o corpo já estava aquecido e as dores / cansaço estavam diminuindo. Assim, comecei a acelerar um pouco, principalmente nas subidas e descidas. Aqui fiz as minhas primeiras ultrapassagens. Mais um pouco de caminho e cheguei numa longa, porém diluída subida para a Rua Dona Laura. Encontrei o Rodolfo, que já estava descendo. Depois de subir rapidamente, que delicia que foi aquela descida. Até percebi que dois caras estavam falando algo sobre mim citando o meu número de peito, mas nem entendi. A partir daí, comecei a usar a minha tática de começar a correr de olhos fechados. Os trechos eram retos, sem muitos obstáculos. Assim, fui seguindo até por volta dos 15 Km. Na hora de virar para a Rua Botafogo, se não me engano uma rua com corredor de ônibus, se eu tivesse virado o pescoço pra esquerda enquanto virava pra direita, teria visto o Estádio Olímpico. Aliás, no trecho seguinte, vi uma grande construção na Avenida Praia de Belas, e comecei a achar que era um estádio. Sabia que não era o Olímpico, principalmente pelas cores. Na verdade, era um Shopping. Aproximando mais uma vez da região de largada, já estávamos na segunda metade da prova. No aspecto de percurso. Esta maratona pode ser dita literalmente como “duas meias em uma”, com a segunda parte às margens do Rio Guaíba, por quase toda a extensão do percurso. O local para registrar o chip estava perto do Gasômetro, onde encontrei o Ademir e o JC Baldi. Também vi a Sabine e o Rodolfo retornando, do outro lado da pista. Quando comecei o retorno, fiquei maravilhado com a paisagem eu envolvia o Rio Guaíba. Os quiosques (que não faziam parte da prova) tinham a marca de Gatorade. Aliás, todo o esquema de abastecimento desta prova estava excelente. Até achei a água muito gelada em alguns pontos. Foi a primeira vez que eu não fiquei carregando o copinho durante a prova. Sabia que ia encontrar um ponto logo adiante. Por volta dos 25 km, o cansaço voltou um pouco. Assim, já comecei a administrar. Lembrei a técnica do Passo do Urubu Malandro, inventada pelo Ivo Cantor, e que me foi passada pelo Dimas. Do outro lado da pista, atletas de revezamento e de cadeirantes estavam a mil, com alguns maratonistas já nos últimos kms. Passei pelo do Gigante do Beira Rio mas na ida, eu estava mais preocupado em ver o restaurante Montana Grill, que ficava dentro do estacionamento, ao meu lado direito, enquanto que o estádio ficava do lado esquerdo. Passei pelo Museu Fundação Iberê Camargo, e depois pelo Shopping. Por aqui, encontrei o Julio Cordeiro, e o João Gabbardo. Falei pra ele que eu tava cansado, mas que ia terminar. 30 km, e começamos a entrar numa região de bairro. Estava bem arborizada, e dava vontade de fazer um “pipit stop”. A vontade eu tinha desde quase o início da prova, mas achei melhor administrar. Até que nos 32 km, vi um cara que descobriu uma parede “escondida” ideal para ficar mais leve. Mas eu já estava passando desse ponto, não ia querer voltar. Esse cara me alcançou, conversamos um pouco sobre subidas e descidas, e ele foi adiante. No bairro, foi muito bom receber o incentivo das famílias que estavam assistindo à prova. A esta altura, já estava recuperando velocidade ao ponto de passar por alguns atletas de revezamento, mas queria algum incentivo pra voltar a acelerar. Eis que aparece uma bela subidinha curta. Fiz um “tiro”, ao ponto de poder sentir o vento, e quando já estava de volta nas margens do Rio Guaíba, esbocei um sprint final de 7 km. Porém, a esta altura, o sol estava muito forte. Na ida do Rio Guaíba, nem percebi muito, pois o sol estava atrás, mas vê-lo de frente era de abalar a decisão de fazer sprint longo. De repente, percebi que sempre que fiz os sprints de mais de 6 km, o clima estava bem ameno (SP 08, Buenos Aires 08, Punta del Este 08, Castelhanos 09, etc). Em Rio Grande, não lembro da temperatura me incomodando. Já em Curitiba 07 e 08, e Santa Catarina 09, realmente tive que deixar o sprint apenas para o km final. Depois conversei com vários atletas locais e foram praticamente unânimes em dizer que tinha sido a maratona mais quente nos últimos 5 anos. Então decidi variar entre correr e trotar rápido. A esta altura, não deixei passar mais nenhum maratonista, e cacei alguns atletas do revezamento. No Iberê Camargo, encontrei o Rodolfo, e logo depois a Sabine. Fiquei pensando: bom, o caminho que falta até a chegada, teoricamente é o caminho que nós caminharíamos ontem, se não tivéssemos pego táxi. Cerca de 5 km. Nessa de acelerar e reduzir, fui encontrando o Miguel, o Eduardo (RP), o João Gabbardo (retornando) o Dimas, o atleta que corre com um uniforme de onça (que tá em todas), além de ser chamado pelo Adilson, um atleta que participou de Rio Grande e me reconheceu. Ele me perguntou se eu tinha quebrado, pois meu tempo em Rio Grande foi bem melhor. Pois é, em Rio Grande, eu estava bem mais preparado mesmo (e menos cansado). Apenas nos 40 km, tive coragem de fazer o sprint definitivo. Delicioso. Começava a abrir um sorriso no rosto. Passei mais alguns atletas de revezamento e quando já via a linha de chegada, encontrei o Chico – Gremista, amigo do Rodolfo e do Nishi, que o conheci em Floripa. Aproveitei uma pequena descida com curvas, para tangenciar, e terminar no pique. Passei por mais dois atletas antes de terminar a prova. Missão Cumprida. Joguei vários copos de água no corpo e esperei o pessoal chegar (Miguel, Eduardo, Dimas, Rodolfo, Sabine) para ir pegar a medalha e a comida. Infelizmente, tivemos que devolver o porta chip. Frutas a vontade, um bolinho de laranja delicioso e barra de cereal, alem de Gatorade. Como é bom encontrar o pessoal após uma prova dessas. O Bruno Thomaz tinha feito um excelente tempo na meia maratona (ele havia dito quando eu estava passando na região da largada na metade da maratona, mas na hora, não tinha entendido nada). E o pessoal da EC Tavares também estava lá. Após pegar os meus pertences, fiquei andando, assistindo à premiação, até que percebi que todo mundo já tinha ido embora. Então, resolvi pegar a van para o alojamento. Ainda encontrei a Ultra Elisete no caminho. Ela pegou a van que estava saindo, e eu fiquei esperando o próximo. Quando perguntado se a van ia demorar, o staff responsável pelo traslado nos mostrou o transito naquela rua, parcialmente bloqueada para a corrida. A piada do momento: “esses maratonistas que ficam atrapalhando a vida da Cidade”. E semana que vem, é a vez dos paulistanos. Fui conversando com os atletas que estavam esperando. Pessoal do Rio, do Paraguai, e de cidades próximas.

 

Pós prova:

Logo que a van me deixou no hotel, comecei a ligar para o Bruno e para o JC, como faríamos para ir ao jogo do Grêmio às 16 horas. Já tinha passado das 13 horas. Logo, o JC me ligou, me convidando para almoçar com o pessoal da Equipe dele. Churrascaria Dom Henrique (Espeto corrido, por R$ 15, além de arroz, salada, polenta, a vontade. O primeiro corte que experimentei, foi um maravilhoso vacio). Ficamos até o restaurante fechar às 16 horas. O Julio levou o José Luiz e sua esposa para o Aeroporto, e de lá, fomos direto para o Estádio Olímpico. A entrada estava R$ 40. Chegamos bem no intervalo, e o jogo estava 0x0. Telefonamos pra encontrar o pessoal: Bruno, Julio Cordeiro e Família, Miguel, estavam todos lá. No segundo tempo, estávamos mais preocupados em conversar do que ver o jogo, mas com os olhos sempre voltados para o campo. Placar final: Grêmio 2x0 Botafogo. Eu e o JC fomos os pé quentes da tarde. O JC me deixou no hotel, mas como o transito estava muito cheio, em certo momento, encontramos mais uma vez o Julio Cordeiro e família, que estavam voltando do estádio à pé. Chegando no hotel, deitei e comecei a assistir ao jogo Flamengo e Santo André. O carioca estava vencendo. Assisti a dois golaços de cada. O jogo terminaria 2x1 pro Fla, mas acabei adormecendo após o gol do Josias, pra despertar apenas as 1h da madrugada. Após me arrumar e dormir de novo, às 5h30 já saía para o Salgado Filho, via táxi, para pegar o avião. Encontrei o Paulo e outros atletas no aeroporto. Nós pegamos o mesmo avião, mas lugares diferentes. Dormi a viagem toda, e conversamos no traslado de ônibus de Viracopos até Barra Funda. Cheguei em casa às 11h30. Agora, maratona de relatórios (do trabalho, não das corridas...)



Escrito por Hideaki às 22h12
[] [envie esta mensagem] []



Arquivo de Corridas 168 - parte 1: Pré prova

Pré prova

Saí de São Paulo logo após o almoço de sexta-feira, e fui à estação Barra Funda, para pegar o traslado até o Aeroporto de Viracopos. Na plataforma, conheci o Paulo, que iria correr sua segunda maratona em Porto Alegre. Fomos conversando durante o ônibus, e também pegamos lugares próximos no avião, para continuar as discussões sobre o pedestrianismo. No avião, ainda conhecemos o Ivo e o Jorge, corredores de Salvador (me perdoem se eu estiver confundindo, pois conversamos tanto de provas no Nordeste...), que também estavam indo correr. O Ivo, estreante em maratonas. Chegando no Aeroporto Salgado Filho, as vans já estavam a disposição, para levar os atletas aos hotéis conveniados e ao alojamento. Eu fiquei no Hotel Máster Executivo, e o Paulo foi ao alojamento. A culpa foi minha por ter deixado pra última hora, mas não gostei da localização do Hotel, no Centro, longe de tudo. Sem falar que as lojas fecham cedo lá. Mas por uma agradável surpresa do destino, ficava pertinho da casa e da loja do Edu, meu colega de faculdade, que mora em Porto Alegre. Havíamos combinado de nos encontrar se possível, pois ele iria viajar para São Paulo justamente no dia seguinte! Mas deu tudo certo. Afinal, a casa dele ficava na quadra ao lado do hotel. Fomos jantar num rodízio de pizzas (Pizzaria Cheiro Verde – bom e barato, com direito a alguns tipos de carne e sobremesa). Após o desgaste de Ilhabela, o carbo loading, estava sendo bem feito, pelo menos para o paladar. Voltei ao Hotel e fui descansar.

No dia seguinte, tomei café da manhã em cima da hora do término deste serviço no Hotel (10h), e encontrei alguns atletas. Havia combinado o Encontro Nacional dos Marathon Maniacs, às 11h30, na retirada do kit, no Anfiteatro Pôr do Sol. Saí do hotel e (após visitar a loja Hoshi, onde conheci o Ernesto, sócio do Edu) fui andando para dar uma passadinha rápida no Mercado Municipal, como gosto de fazer sempre. Mas sem pastéis, nem petiscos. Passagem relâmpago, pois tava na hora de ir ao encontro. Estava na Siqueira Campos, e fui correndo, parando às vezes para perguntar o caminho. Até que num parque, um senhor me indicou com muita atenção, como chegar ao Parque da Harmonia. A esta altura, o Bruno Thomaz (que não sabia do encontro), me tinha passado uma mensagem, que eu interpretei como se fosse um MM cobrando o meu atraso. Isso às 11h25. Depois recebi mensagem do João, o Nilson me ligou, e eu correndo, desesperado. Quando pensei que finalmente cheguei no Parque da Harmonia, ainda havia um BOM trajeto até o Anfiteatro. E eu fui correndo... Até que, quando já dava pra ver a entrega de kits, avistei o Rodolfo, chegando ao local, na maior calma. E eu suado, com o meu agasalho. Encontramos o João, o Nilson, e esperamos o JC Baldi chegar. Após pegar o kit e comprar um cinto porta gel (por incrível que pareça, esqueci deste item em casa), ficamos conversando com o pessoal da Contra Relógio, o pessoal de Pernambuco (Julio Cordeiro e Cia), a Rose e a Maria (EC Tavares), a Denise Amaral e o Ademir sãopaulino, o Ivo e o Jorge, e muitos outros atletas. Depois de ficar assando por algum tempo abaixo daquele sol, e não se evitava comentários do tipo “que bom se tiver esse solzão amanhã”, finalmente tiramos as fotos dos Maniacs (já com o JC) e fomos para o Restaurante Copacabana (à la carte, massa maravilhosa) para a nossa reunião (com direito a ata rabiscada num papel anúncio de corrida). Convidamos o Pinguim para registrar o encontro em fotos, e tivemos aulas de conhecimento geral, como alfabeto russo, além do funcionamento da máquina fotográfica. Um pouco mais tarde, chegou o Dimas, também candidato a Marathon Maniacs. Estavam lá também os atletas José Luis e sua esposa Maria Helena, do Rio, e o meu amigo Milton (que conheci nas viagens com a EC Tavares) e que o Pingüim “pescou” para participar do nosso almoço. Após o delicioso almoço, o João nos deu carona até o Shopping Barra Sul, onde estava acontecendo a exposição “Corpo Humano”. Como diziam o Dimas e o Nilson (fui com eles), fomos ver como os tendões dos nossos pés sofrem. Exposição muito legal, sendo que o que mais me impressionou foi o setor do sistema circulatório, dissecado. Depois da cansativa, porém interessante visita, fomos tomar sorvete Troppo Bueno. Adoro gelati italiano! Em seguida, fomos andando até o Museu Fundação Iberê Camargo. Com todo o respeito ao artista, àquela altura, eu já estava de saco cheio para prestar atenção nas obras (e olha que na época que eu fiz curso de pintura, ia para uma mesma exposição de duas a quatro vezes), mas achei impressionante, a arquitetura do Museu. São quatro andares, e inicialmente subimos de elevador até o topo, e vamos descendo pelas rampas, passando por todos os andares. E nos corredores (rampas), há janelas que mostram o Rio Guaíba, como se fosse um quadro. E nos corredores dos andares de baixo, janelas no teto, o que dá uma impressão de suspensão. Muito legal!! Saindo do Museu, já estava escuro (aliás, quando saímos do Shopping, tiramos belas fotos do crepúsculo) e discutimos se iríamos andando, ou pegaríamos um táxi. Fomos de Táxi até o jantar de massas, no Galpão Crioulo. R$ 20 para participar, com bebidas a parte. Lá, conhecemos o Mauricio e o Jorge, atletas de Santa Catarina, que idealizaram um projeto desafio, para correr as 6 maratonas brasileiras. Também conheci pessoalmente o Bruno Thomaz, o Miguel de BH, e reencontrei vários amigos que já tinha visto de manhã. Combinei com o Julio Cordeiro, de fazer uma ligação surpresa para a Mayumi, e falei em japonês para combinar nosso encontro pré maratona de São Paulo, dizendo que ia iria convidar um atleta para participar. Era o próprio Julio, mas a Mayumi pensou que o atleta iria falar em japonês. E os presentes na mesa também se divertiam com eu falando em japonês. Eu fiquei com o pessoal da Equipe Tavares até o final do jantar. E logo quando os atletas foram todos embora, no palco, começaram a apresentar dança típica gaúcha. Acabei chegando no hotel às 22h, e só dormi por volta das 0h30. E depois fiquei sabendo que a essa hora, a Mayumi postou em seu blog às 0h26: “o pessoal que vai correr a maratona deve estar dormindo a esta hora”. Até lá, fiquei estudando o trajeto, e li o jornal Sprint Final, que veio no kit. Com artigos do Bruno e do João.



Escrito por Hideaki às 22h11
[] [envie esta mensagem] []



Arquivo de Corridas 167 - parte 2: Prova e pós prova

Dia da prova:

Só consegui sair do Hotel às 6h20. A prova começaria às 7h. Então, tive que correr uns 25 minutos (mesclando paradas para perguntar o caminho para os moradores), até o campo do Galera, local de início da prova. Logo fui encontrando o Nishi, a Tomiko, o Gustavo e a Sônia. Retirei os 2 chips da prova, e coloquei no tênis usando os arames. Eis que aparece o Ortega para me pedir o repelente. Eu ainda tinha que passar protetor solar, repelente... estava atrasadíssimo. O Sr. Davi (Presidente da Corpore) já estava fazendo a contagem regressiva, quando eu deixava minhas coisas no guarda volumes (ônibus) e, ao mesmo tempo, enchia o meu cinto de géis de carboidrato. Não sei por que, perdi tempo colocando dinheiro no bolso impermeável do calção. Onde eu ia gastar? Pra tomar cerveja na Praia de Castelhanos? (P.S.: eu não bebo). Na hora que terminei, tocou o sinal de largada. Fui correndo até a largada. Dei uma acelerada, só pra alcançar o pessoal. Comecei a conversar com o Enio e com o Paulo (conheci-os pessoalmente neste momento), quando de repente, o nó do meu tênis desamarrou. Não sei quanto tempo faz que isso não acontecia. Parei, amarrei o tênis e os alcancei de novo. Todo mundo poupando energia e eu desperdiçando por pura falta de planejamento... Logo começou a subida no trecho de terra (onde começa o trecho “Castelhanos” para quem faz a prova em Equipe). Por ser a minha estréia em corridas de montanha (desconsiderando as rústicas 10 km), fui curtindo cada momento. As árvores, as sombras, o Sol que começava a mostrar a cara (mas não sofremos muito durante a prova, pois as árvores nos protegiam de contato direto com a luz solar)... quando de repente, começaram a surgir as poças de água. Foi mais ou menos neste momento que a Marina e a Hedy me alcançaram (também as conheci pessoalmente neste momento. Depois elas me deixaram comendo poeira) e comentei que, do jeito que eu sou fresco, eu sei que vou molhar o tênis no Rio perto de Castelhanos, mas mesmo assim, tento evitar as poças neste trecho. O meu ritmo na subida foi de uma forma que, qualquer um que me visse, ou me filmasse, diria que andei nesta subida. Mas eu sempre forçava a perna para dar um salto (visivelmente imperceptível) só pra dizer depois que eu não tinha andado em nenhum momento desta subida. Mais energia desperdiçada, mas desta vez, com convicção. No momento que cheguei no topo da montanha (em torno dos 10 km, que passei com cerca de 1h30 de prova. Não havia marcação por km), provavelmente eu era o último colocado até então. Peguei a garrafa de Gatorade e desci com tudo, encontrando logo o Gustavo e a Sonia. No começo, foi divertido poder correr, mas logo já encontramos os trechos com lama e poças, ou descida acentuada, que me impedia de descer “sem freio”. Durante a descida, lembrei de uma frase atribuída (nunca perguntei pessoalmente) ao Agnaldo Sampaio (que também estava em Ilhabela, com a Acrimet) em que “é melhor descer com tudo, do que com freios, para evitar lesão”. Mas isso, em solos regulares. Naquele trecho, não dava, de jeito nenhum. Por outro lado, a esta altura, estava com vontade de ir ao banheiro. Depois de hesitar por muito tempo, esperei apenas passar algumas centenas de metros de um ponto de apoio, e fiz o meu primeiro “pipit stop” em céu aberto (a primeira, e até então única vez, em banheiro químico, tinha sido em Cubatão, em Abril/2009), um pouco antes dos 15 km (que passei com um pouco mais de 2 horas) de prova. Ainda bem que a esta altura, eu sabia que não havia nenhum outro atleta por perto. Depois conversei com outros atletas que estavam apreensivos para fazer seus pipitstops, pois poderiam passar atletas a qualquer momento. Em seguida, já começava a ver os atletas no caminho de volta. Foi impressionante a forma como o Campeão da prova escalava a montanha, segurando os galhos, saltando para áreas mais firmes pra pisar... Só o vi por menos de 30 segundos, mas foi o suficiente pra acreditar que ele concluiu esta prova sem andar. Depois vi o Jorge “China”, então em quarto lugar, e mais pra frente, perto do nível do Mar, o Nishi, a Tomiko, e outros amigos. Na descida, ainda ultrapassei alguns atletas, mas em alguns trechos, a lama praticamente engolia o tênis inteiro. Efeito devastador da chuva de ontem. Finalmente chegando ao nível do mar, logo, alcancei o tal do Rio. Eram três no total. Os staffs orientavam quais eram os pontos rasos, mas mesmo assim, no primeiro rio, a água cobriu o meu joelho (minha perna é curta). A água estava geladinha, gostosa, e ainda lavou todo o tênis sujo de lama. Poderia ter um rio assim, antes de terminar a prova. Os staffs estavam esperando para quem quisesse trocar os tênis, ou deixar os seus lá, para correr na Praia de Castelhanos descalços. E chegando a Praia... que maravilha de praia... Provavelmente a Praia mais linda que eu já vi na minha vida, ainda que a minha percepção estivesse temperada pelo percurso duríssimo desta prova. O azul do mar... o horizonte... a areia... corri o trecho todo olhando para a esquerda, onde estava o mar. Parecia que o meu espírito estava sendo lavado naquele instante. Um pouco mais a frente, a marca dos 20 km e o ponto de abastecimento. Havia frutas, gatorade, salgado, malto dextrina, banheiro (que não usei aqui), e o Enio, que estava tirando fotos. Cheguei neste ponto com 2h45. Descansei uns cinco minutos e comecei o caminho de volta. Mas não resisti, e pela primeira vez na prova, tive de admitir que andei. Andei pra curtir por alguns segundos a mais aquela bela paisagem, antes de me despedir da Praia de Castelhanos. Passando de novo pelos rios, de volta à Montanha. Estava animadíssimo pra subir correndo, mas logo eu vi que tinha um 4x4 (carro comum não chega até Castelhanos) atolado na lama. Era região de lama bem macia, e imediatamente decidi que não iria mais correr até chegar ao topo da montanha. Até parecia que eram “mud hands”, mãos de barro que nos arrastavam para baixo. A cada três passos, voltava um, afundando na lama. Neste momento, lembrei do Paulo Starzyski (da Nossa Turma) me dando dicas sobre “andar estrategicamente” nas ultras. Ainda que fosse impossível, pra mim, correr naquele momento. Durante a subida, conheci mais um atleta Paulo e fomos conversando até que ele me ultrapassou. Ele dizia que ia parar na cachoeira lá em cima para lavar os tênis. No final, acabei fazendo uns 7 ou 8 km de caminhada na subida. Não sei a distância exata. Fui curtindo cada momento de prova, e de vez em quando, me incomodava com as picadas dos mosquitos. A esta altura, o repelente já era. Sempre que eu passava nos postos de abastecimento, ou quando aparecia um staff de moto, eles me perguntavam se eu tava bem. Bom, como eu tava me poupando, eu tava bem. Mas tinha que ser naquela velocidade mesmo. Na subida, ainda fiz o meu segundo pipit stop na prova. Passei andando pela cachoeira citada pelo Paulo. Chegando no topo, encontrei o Enio de novo, no posto de abastecimento. Estavam oferecendo Gatorade, frutas e bolacha salgada. Enquanto nos abastecíamos, os mosquitos também faziam a festa nas nossas pernas. Bom, salvo engano, cheguei ao topo com 4h45 minutos. Menos de 30 km (27 km?) em mais de 40 horas é um pequeno ataque à vaidade própria, ainda que seja algo estratégico. Mas o resto era só descida. “Salvei o jogo, apertei o reset” e disparei na descida. Que delícia. Em certo momento, até me lembrei do Marcos Sanches (Nossa Turma), quando ele me acompanhou na última perna de quando participamos no revezamento. Até parecia que ele estava correndo junto de novo, ao lado. Um pouco depois, encontrei dois corredores que estavam descendo este trecho. Pensei: “opa, vou ganhar duas posições?” Passei correndo por eles, mas na verdade, eram atletas que estavam participando do “trecho Castelhanos” do revezamento. Aliás, depois conversei com alguns concluintes do Desafio Castelhanos e descobri que ultrapassamos vários atletas que estavam fazendo o revezamento. Bom, lógico que tinham alguns que me deixaram comendo poeira, mas considerando que geralmente este trecho é feito pelo atleta mais experiente, imagino que ou havia muitas equipes sem esse atleta com “experiência para fazer Castelhanos, ou mesmo descidas na terra”, ou algumas equipes não estudaram o regulamento, na hora de decidir a ordem dos atletas. Durante a descida, encontrei o Ultramaratonista Emerson, que conheci em Cubatão, que estava subindo. E foi muito divertido pois vários atletas mal sabiam que a gente (com o número de peito laranja) estava fazendo o Desafio Castelhanos, e davam incentivos como “Falta pouco” quando pra gente ainda faltava 8 km ao invés dos 3 km pra eles, ou “Quanto falta (pra chegar no final da subida deles)”, sendo que o “nosso topo” ficava mais acima que o “topo” do revezamento. No final do trecho ainda foi gostoso, pois participei de uma disputa de sprint final com dois atletas que estavam no revezamento. Mas antes da “chegada”, desacelerei, pois tinha que perguntar para o staff, onde ia ser a minha continuação. Os staffs anunciavam nossos nomes e todos aplaudiam. Nada mal pro nosso ego. Na reta (plano) final, não tinha segredo. O gás que eu tinha, já tinha gastado tudo na descida. 4 km de trote tranqüilo. E ainda passei um atleta do revezamento (outros me deixaram pra trás). Passei em frente à entrada do meu Hotel, enfrentei uma ou outra subida, e quando visualizei a placa da BL3, preparei o meu split final. Como na prova de revezamento, é permitido aos concluintes das provas, uma pequena intenção de “volta olímpica”, onde entramos numa pista, e a temos ela inteira para curtir os últimos momentos de prova. O locutor era o Paulo Bueno, e quando entrei na pista final, ele mandou o DJ tocar Eyes of Tiger. Animei pro split final e terminei esta dura, porem deliciosa prova. Logo recebi a medalha... Pesadíssima!! Tanto que “arrebentou” a faixa e caiu. Tinha acontecido isso com a Tomiko, e depois com o Enio também. Fomos acompanhando a chegada dos ultramaratonistas, mas num momento, tive que ir pra Vila (Centro) fazer umas compras, e não pude aplaudir a chegada do Gustavo e da Sônia...

 

Pós prova

Durante todo o tempo que esperei, consumi uns três sorvetes de palito (sabores interessantes, como abacate e alfajor). No último que comi, de tangerina, quando não agüentava mais sorvete, o palito estava premiado. Dei de presente ao Emerson, que havia acabado de terminar a prova com sua equipe. Tava com preguiça de voltar para o Hotel, e fiquei a tarde toda conversando com o pessoal da Corpore. Cheguei no hotel apenas às 18h30. Fiquei relaxando e depois tomei banho para ir à “balada” pós prova. Na hora que desci para a recepção, encontrei o pessoal do quarto de cima que participou do revezamento. E graças a sugestão do recepcionista, acabei ganhando carona até a Vila, onde acontecia a premiação. Me despedi dos meus novos amigos e fui procurar o pessoal do Desafio. A Naoko, Tomiko, Paulo Sak, Agnaldo e Paty (revezamento), Emerson, e demais. Encontrei (cheguei a ver de longe), mas não consegui falar com o Jorge “China” e com a Marina. Após o término da premiação, fui xeretar a tal balada no Sushi Bar com o Paulo. Ainda estava vazia. Como estava acontecendo a Festa de São Benedito em Ilhabela (com presença do Chico Cesar), decidi comer algo na quermesse (não tinha comido nada alem do kit pós prova e um chocolate de antioxidante). As lojas estavam abertas e ainda paramos numa livraria café para conversar, comendo empanada. O Paulo me deixou no Hotel perto da meia noite e dormi, No dia seguinte, viajaria cedo. No Domingo, despertei às 7h, para pegar o ônibus das 8h30. Quando solicitei o check out antecipado pro dono-recepcionista da pousada, ele reclamou, dizendo que queria dormir até 8h, mas no final, acertamos que eu ia trancar o portão e arremessar a chave no jardim. Até cheguei a ficar preocupado com a demora da chegada do ônibus e da partida da balsa (funciona 24 horas. A duração da viagem é de 12 minutos), mas deu tudo certo e por volta das 13 horas, já estava em casa, tentando arrumar carona pra ir ao Morumbi, ver o Tricolor jogar. Como ninguém tava a fim, resolvi descansar e ficar vendo sites / blogs de corrida. Fui deitar em definitivo às 19 horas da noite. Não havia percebido, mas o meu corpo realmente estava cansado... Despertei apenas 12 horas depois...



Escrito por Hideaki às 11h35
[] [envie esta mensagem] []



Arquivo de Corridas 167 - parte 1: Pré prova

Pré prova

No momento que arrumava minha mala para viajar para Ilhabela, percebi que meu cronometro estava sem bateria. Assim, resolvi ir com o relógio normal de pulso. Algo me diz que este é o primeiro passo para eu abandonar de vez o cronômetro pra minhas provas. Vou trocar de bateria (ou de frequencimetro) pelo menos mais uma vez, mas já estou de saco cheio de ficar apertando o botãozinho a cada km percorrido durante uma prova. Também enquanto arrumava a mala, e fui imprimir o comprovante de inscrição, descobri que esta seria a minha primeira prova da Corpore neste ano. Na quinta a noite, o meu pai, que a partir deste ano está trabalhando em outra cidade e só fica em casa no começo da semana, estava em casa, e resolveu que iríamos jantar no Rodízio de Pizza, perto de casa. Comi até não agüentar mais. Nestas três semanas que antecederam a prova, eu estava muito mal de saúde, alternando “desvios na coluna” (minha doença crônica. Em certas épocas do ano, fico com uma perna mais curta que a outra, e às vezes não consigo sair da cama.) e febre com resfriado. Felizmente me recuperei a tempo da nova “Temporada de Maratonas”, mas engordei cerca de 3 kg, partindo de São Paulo com 89 kg. Bom, não seria esse jantar que ia fazer diferença no aspecto negativo. Na sexta, uma última massagem preventiva para não sentir o meu problema da coluna, e saí de casa pra pegar o ônibus do meio dia, conforme havia combinado com o Ortega. Como sempre, dormi praticamente a viagem toda, pois estava madrugando para adiantar o trabalho. Chegando em São Sebastião, já comprei a passagem de volta e pegamos a balsa (Ferry Boat) para a Ilhabela. Estava chuviscando. E continuaria assim até a noite. Preocupação quanto ao caminho de terra da prova... De lá, direto para o BL3, ponto de retirada dos kits. No caminho, passamos pelo posto onde compramos o gelo e onde verificamos o que tinha quebrado no carro do Mauro, quando participei do revezamento Ilhabela 2007. O posto estava em reforma... Após retirarmos o kit, fomos até o centro (Vila), onde teríamos que ir até a loja da Doox (patrocinadora. Loja estilo Track & Field) para retirar a camiseta. Cerca de 1 km de caminhada. O céu já estava escurecendo e o Ortega ainda teria que encontrar Hotel. Pegamos o ônibus (R$ 2) e ele desceu um ponto antes do meu. Eu já tinha quarto reservado no Golfinho II. Fiz o check in. Na hora, fiquei sabendo que o café para os atletas seria servido APENAS das 3h às 4h da madrugada, e se perdesse esse horário, depois só às 8h. Vi meu relógio. 18h. Resolvi descansar um pouco até as 19 horas, e logo fiz uma caminhada para encontrar um restaurante legal. Escolhi o “Píer 18” e fiz a festa no Rodízio de Massas. Farfalle ao alho e óleo maravilhoso!! Cheguei ao Hotel entre 21 e 22h e logo tentei dormir. Na tentativa de ler HQs antes de dormir, acabei adormecendo com a luz de cima ligada, e despertei por volta de 0h30, para desligar a luz. Desperto de novo às 3h para o café da manhã. Só tinha eu e mais um atleta. O recepcionista havia alertado que era melhor chegar ao café por volta das 3h mesmo, para não acabar a comida (!!), mas os atletas do revezamento desceram todos por volta das 4h mesmo, na hora que eu tentava dormir mais um pouco. Despertei em definitivo às 5h, e fiz todo o meu ritual de dia de prova. Tive dificuldade para esvaziar o intestino, e só consegui sair do Hotel às 6h20. A prova começaria às 7h.

 



Escrito por Hideaki às 11h34
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]